A feira que o condomínio queria fechar — e a vizinhança que não deixou
Três meses de tensão, uma assembleia e uma cartilha.
A Feira da Rua das Acácias completa dez anos em outubro. Por pouco não completou sete.
Tudo começou em fevereiro, quando o condomínio do Edifício Aurora (esquina com a rua) enviou ofício à subprefeitura pedindo o fim da feira aos domingos. Motivo: barulho e dificuldade de estacionamento.
A reação foi rápida. Em uma semana, 340 moradores assinaram um abaixo-assinado pedindo a manutenção. O documento foi entregue na subprefeitura numa manhã de sábado — durante a feira.
Beatriz Sampaio acompanhou os três meses de negociação. O ponto de virada veio numa assembleia, em maio, quando feirantes e condomínio sentaram pela primeira vez na mesma mesa.
O acordo: a feira reduz barulho depois das 11h, mantém corredor de acesso à garagem e instala banca de produtos do condomínio (alguns moradores têm horta no terraço).
Resultado inesperado: hoje há fila de produtores querendo banca. A feira virou ponto de encontro — e não só de compra.
A lição, segundo a subprefeita ouvida: 'conflito de bairro se resolve com conversa presencial, não ofício'. Demora mais, mas dura.
A Feira das Acácias agora tem cartilha de convivência, impressa pela própria vizinhança. Quem quiser reproduzir, o modelo está aberto.